CENAS DA JUVENTUDE
Logo de manhã, por volta das 6 horas, nosso pequeno grupo se reunia na praça, pertinho da linha do trem. Éramos não mais que meia dúzia de meninos e meninas, cada um com seu copo com dois dedos de açúcar. Caminhávamos alguns quilômetros e chegávamos a um curral onde meia dúzia de vacas nos esperava para a ordenha.
Essa a lembrança mais carinhosa de meus 10 ou 12 anos, na minha pequena Gravatá.
Morava em frente à Cadeia Pública, onde havia uma placa de bronze com os dizeres Aqui tombou Cleto Campelo. Só muito depois, lendo a História de Gravatá, de Alberto Frederico Lins, viria saber do que se trata. Cleto Campelo fora um tenente do Exército que aderira à Coluna Prestes e partira do Recife soltando presos, com o objetivo de juntar-se a Luis Carlos Prestes. Teve êxito em Moreno e Vitória, mas tombou antes de entrar na cadeia pública de Gravatá. Diz-se que foi abatido por tiros de seus próprios homens, num tiroteio em que não se sabia quem era quem. Cleto Campelo caiu mais ou menos na frente da casa onde eu moraria alguns anos depois, e que ficava na frente da cadeia. Durante alguns anos foi o endereço de meus pais e meus sete irmãos: rua Cleto Campelo, 101.
Da janela desta casa eu espiava o desfile de meninos e meninas que se dirigiam ao ginásio. Juntava-me ao bando com a indefinível alegria da juventude. Olhava o contorno, o formato do corpo feminino e imaginava as coxas - quanto mais grossas, mais bonitas. E os seios? Não era o tamanho que impressionava, mas sua aparente consistência. Os mais lindos eram os que ameaçavam furar o tecido, de tão durinhos...
Como esquecer a doméstica que ajudava nos serviços caseiros, varrendo a casa, espanando os móveis e forrando as camas. Tomava o café da manhã e voltava para o quarto, simulando indisposição, mas na verdade esperando o momento em que ela entrava com a vassoura. Antes de terminar o trabalho, eu tentava tomar-lhe a vassoura, em movimentos bruscos que facilitavam esbarrões e resultavam em excitação mútua e inevitáveis amassos. A cena se repetia diariamente, até o dia em não havia ninguém em casa, nem minha mãe, que tinha ido comprar alguma coisa para o almoço. Foi o bastante para que tudo se consumasse, em pé mesmo, com medo de fôssemos flagrados na cama. Inesquecível.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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